Sete Mistérios da Bíblia Decifrados

Apesar do medo que os mistérios impõem sobre o homem, a tendência da mente humana é partir ao encontro do desconhecido, mesmo diante do perigo que possa representar. Desde muito cedo as mentes mais corajosas moveram

o mundo no intuito de desvendá-los. Ainda nos dias atuais o homem encontra-se impermeado de perguntas sem respostas, apesar do avanço da ciência e da tecnologia. Em pleno Século XXI os mistérios ainda fazem parte do cotidiano das pessoas.

Com o advento da internet, vivemos a chamada Era da Informação, mas o que encontramos na vedade é um oceano de informações duvidosas. Por exemplo, ao se digitar a palavra “mistérios” no Google surgem mais de 7 milhões de resultados. É uma infinidade de sites, dos mais diversos tipos, que tratam de temas que abrangem desde a História Antiga, como Atlântida, Antigo Egito, civilizações perdidas, tesouros, reinos e cidades secretas, infinidade de mitologias, lendas, etc. e também dos dias atuais, como fenômenos ufológicos, espíritas e outras coisas aparentemente inexplicáveis.

As informações contidas no Livro de Urântia trazem luz sobre inúmeras dessas questões, consideradas como “mistérios da humanidade”. A lista é grande, mas para esta apresentação foram escolhidos sete temas encontrados na Bíblia, que não tem resposta nela mesma:

1. O Príncipe deste Mundo
2. Os Nefilins
3. O Casamento de Caim
4. Noé e o Dilúvio
5. A Torre de Babel
6. Enoque e Elias
7. A Ordem Melquisedeque

O Príncipe Deste Mundo

No Evangelho Segundo João constam frases de Jesus que mencionam sobre o Príncipe deste mundo. Mas não encontramos dentro da Bíblia algo que possa responder seguramente quem seria este príncipe. A teologia cristã defende que este príncipe é Lúcifer, o que na verdade são apenas conjecturas, pois não há informação bíblica de que Deus ou qualquer outra autoridade celeste tenha dado a ele tal título. Vejam as citações bíblicas :

“Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.” Joao 12:31

“Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim;” João 14:30

“E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.” João 16:11

No livro de Atos dos Apóstolos o autor cita que Jesus fora elevado à posição de príncipe:

“Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.” Atos dos Apóstolos 5:31

O Livro de Urântia traz detalhes sobre quem era o governante deste mundo até o ano 25 da nossa era, época em que foi destronado por Jesus, que assumiu a posição e até hoje se mantém como o Príncipe Planetário de Urântia.

Para compreender essa história é preciso voltar no tempo, aos primórdios da humanidade. Diz o livro que quando um planeta se encontra habitado por seres humanos, e tais seres já tenham alcançados a postura ereta, então um governante celestial é enviado para civilizar as raças primitivas. Este governante é chamado de Príncipe Planetário.

E foi por volta de 500 mil anos atrás que chegou ao nosso mundo Caligástia, o então Príncipe Planetário de Urântia. Havia naquela época em torno de meio milhão de humanos no planeta e estas raças se organizavam em tribos. Com a chegada do príncipe surgiu o primeiro sistema de governo, uma grande cidade foi construída, Dalamátia, a sede do governo mundial, que se estabeleceu por quase 300 mil anos.

A civilização planetária progrediu normalmente durante este período, até o acontecimento catastrófico da rebelião de Lúcifer. Vale lembrar que Caligástia era o Príncipe Planetário e governava o nosso mundo. Lúcifer era um Soberano Sistêmico, governava todo o nosso sistema que, à época da rebelião, era composto por 607 mundos habitados. Na atualidade é composto por 619 planetas.

Lúcifer havia governado por milhares de anos e de maneira brilhante, até que a iniqüidade brotou em seu coração e ele abraçou o pecado. Rebelou-se contra seu Criador-pai Michael, negou a existência do Pai Universal e atacou o plano divino de aperfeiçoamento dos seres ascendentes. Lúcifer levou consigo 37 Príncipes Planetários, entre estes Caligástia, o nosso governante, que se aliou às idéias dos rebeldes. Um terço dos anjos também se rebelou.

Houve guerra nos céus, Gabriel e seus anjos lutaram contra os rebeldes. Essa guerra não foi uma batalha física como conhecemos em nosso mundo, foi muito mais terrível e real. Numa guerra física perde-se a vida material, mas a guerra nos céus foi travada pondo em risco a vida eterna.

O Sistema de Satânia, bem como todos os planetas nos quais os príncipes haviam rebelados, foram colocados em quarentena, um isolamento parcial, como uma reação de defesa espiritual para os outros mundos e sistemas. E assim nos encontramos até os dias de hoje.

Os rebeldes que estavam neste planeta, ficaram completamente isolados do resto do universo, privados de transporte e de comunicação. Esta situação se manteve por um longo período, até que veio ao nosso mundo o Filho Criador do Universo Local, Michael de Nebadon, “o verbo que se fez carne e habitou entre nós”, o Filho do Homem: Jesus de Nazaré.

E naquele memorável dia, no alto do monte Hermom, Jesus esteve com esses rebeldes, ofereceu-lhes mais uma vez a misericórdia divina, porém, eles recusaram. Lúcifer, Satã e Caligástia ainda tentaram corromper Jesus com suas loucuras de rebeldia. Em todas as suas propostas nefastas Jesus apenas respondia: “Que prevaleça a vontade do meu Pai no Paraíso.” Pág. 1493:5

“Caligástia foi reconhecido, pelo Filho do Homem, como sendo tecnicamente o Príncipe de Urântia, até perto da época da morte de Jesus. Disse Jesus: ‘Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo será deposto’. E então, ainda mais perto de completar o trabalho da sua vida, ele anunciou: “O Príncipe deste mundo está julgado”. E é este mesmo Príncipe destronado e desacreditado que certa vez foi chamado de ‘Deus de Urântia’.” pág. 610:1

“Antes do seu batismo, Jesus tinha suportado a grande tentação da sua outorga mortal, quando ele foi molhado pelo orvalho do monte Hermom, por seis semanas. Lá, no monte Hermom, como um mortal deste reino, sem ajuda, ele tinha encontrado e derrotado Caligástia, o enganador de Urântia, o príncipe deste mundo. Nesse dia memorável, segundo os registros do universo, Jesus de Nazaré tinha tornado-se o Príncipe Planetário de Urântia.” Pág. 1512: 4

Os Nefilins

Outro assunto muito debatido entre os estudantes da Bíblia. Trata-se do que está escrito no livro de Gênesis, dos filhos de Deus que se uniram às filhas dos homens, e dessa união geraram gigantes, os homens de renome da antiguidade.

“E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.” Gênesis 6:1-2

“Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.”Gênesis 6:4

Outra referência sobre isto está no livro apócrifo “O Livro de Enoch” :

“E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas. E quando os anjos , os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos. Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime. Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos; (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção, mas executamos nosso empreendimento projetado. Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, o qual é o topo do monte Armon.” O Livro de Enoch, cap. 7: 1-7

“Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos, e a divisão de raízes e árvores. E as mulheres conceberam e geraram gigantes , cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los;” O Livro de Enoch, cap. 7:11-13

A grande questão sobre este assunto é quem seriam estes filhos de Deus? Pelo que sei há duas versões sobre o assunto. A primeira é que seriam os anjos caídos, aqueles que aderiram à rebelião de Lúcifer. O que pesa contra esta idéia é que anjos são seres espirituais, não possuem corpo material, muito menos órgãos sexuais para que possam se reproduzir numa união carnal com seres humanos.

A segunda teoria é de que estes filhos de Deus seriam os descendentes de Seth, enquanto as filhas dos homens da descendência de Caim. Entretanto sendo Seth irmão de Caim, eram geneticamente iguais, ou muito semelhantes, e não é razoável supor que a união entre os seus descendentes gerasse seres tão diferentes, a ponto de serem considerados gigantes, os homens valentes da antiguidade.

O Livro de Urântia conta essa história, de como se originaram essas lendas de gigantes e quem eram estes filhos de Deus que se uniram às filhas dos homens. Mais uma vez é preciso voltar à época da chegada do Príncipe Planetário, há 500 mil anos.

Quando Caligástia chegou ao planeta, trouxe consigo um grupo de seres ascendentes voluntários, escolhidos na sede central do sistema, para que o acompanhasse e fossem seus conselheiros e colaboradores materiais, no trabalho de melhoramento das raças, visto que o príncipe é um ser espiritual e necessita de seres materiais para atuar em contato direto com os homens. Este grupo era composto por 100 assessores, e ficou comumente conhecido como: Os Cem de Caligástia.

Estes seres, escolhidos entre mais de 785 mil cidadãos residentes de Jerusém (sede do sistema de Satânia), eram moronciais, uma realidade que existe entre a matéria e o espírito. Mas, para que pudessem trabalhar como assessores do príncipe precisariam de um corpo material. Então os Portadores da Vida escolheram 100 seres humanos, descendentes da raça andônica para que cedessem uma parte do seu plasma vital e assim fossem construídos os corpos materiais dos assessores do príncipe.

50 seres do sexo masculino e 50 do sexo feminino foram escolhidos, representando os melhores espécimes da raça humana, para a extração do material vital, que foi então utilizado para construção dos corpos dos membros do corpo de assessores do príncipe.

“Essas transações, junto com a criação literal de corpos especiais para os cem de Caligástia, deu origem a numerosas lendas, muitas das quais subseqüentemente fundiram-se com as tradições posteriores a respeito da instalação planetária de Adão e Eva.” Pág. 742:8

Os Cem de Caligástia tinham a capacidade de gerar sexuadamente outros seres materiais, mas foram orientados que não deveriam fazê-lo por enquanto. É comum para estes assessores procriar os seus sucessores algum tempo antes de retirar-se do serviço especial planetário. Isto ocorre normalmente à época da chegada de Adão e Eva. Mas haviam sido proibidos desta prática naquele primeiro momento.

Os cem eram seres materiais, entretanto, supra-humanos, imortais e imperecíveis. Em seu sangue circulavam complementos do fruto da árvore da vida, que unidos às correntes de energias vitais do sistema, atuavam como antídotos para o envelhecimento. E assim como os Cem de Caligástia, os 100 humanos que haviam cedido seu plasma vital para a criação dos corpos materiais dos assessores, tiveram seus corpos modificados de maneira que se conectassem ao mesmo circuito de energia, tornando-se também imortais enquanto se alimentassem do fruto da árvore da vida.

Quando eclodiu a rebelião, constatou-se que 60 membros do corpo de assessores haviam se aliado às frentes rebeldes, enquanto o restante se manteve leais a Michael. Dos 100 humanos modificados, 44 seguiram os rebeldes.

Van liderou os membros leais, que imediatamente tomaram a posse da árvore da vida, e seguiram para uma região a leste de Dalamátia, um local sem proteção de muros, mas que tinha suas moradias guardadas dia e noite pelas criaturas intermediárias.

Os membros rebeldes escolheram Nod como seu líder e logo despertaram para o fato de que estavam privados dos circuitos de energia do sistema e com isto envelheceriam e conseqüentemente morreriam. Haviam degradado ao status de seres mortais. E foi neste momento que, num esforço de aumentar o seu número e de perpetuar sua descendência, decidiram procriar entre si e posteriormente com as mulheres mortais do reino.

“A presença desses extraordinários supra-homens e supra-mulheres, abandonados pela rebelião e unindo-se agora aos filhos e filhas da Terra, obviamente deu origem àquelas histórias tradicionais dos deuses descendo para reproduzir-se com os mortais. E assim originaram-se as mil e uma lendas de natureza mítica, mas, fundadas nos fatos dos dias pós-rebelião que, posteriormente, encontraram um lugar nas lendas e tradições folclóricas dos vários povos cujos ancestrais tinham tido esse tipo de contato com os noditas e os seus descendentes.” Pág. 758:1

“Foi muito difícil para os seres como os anjos e as criaturas intermediárias conceberem que governantes brilhantes e de confiança como Caligástia e Daligástia pudessem desviar-se – cometendo o pecado da traição. Esses seres que caíram em pecado – não entraram deliberada ou premeditadamente na rebelião – foram desencaminhados pelos seus superiores, enganados pelos líderes em quem confiavam. E do mesmo modo foi fácil ganhar o apoio dos mortais evolucionários de mentalidade primitiva.” Pág. 758:4

“A grande maioria dos seres humanos e supra-humanos que foram vítimas da rebelião de Lúcifer em Jerusém e nos vários planetas desviados, há muito já se arrependeram sinceramente da própria loucura; e acreditamos verdadeiramente que todos esses penitentes sinceros serão reabilitados de alguma forma e reintegrados, em alguma fase do serviço no universo, quando os Anciães dos Dias finalmente completarem o recém-iniciado julgamento dos assuntos da rebelião de Satânia.” Pág. 758:5

O Casamento de Caim

Este é mais um tema que gera controvérsia entre os estudantes da Bíblia. Diz o livro de Gênesis que Deus criou os céus e a Terra, e em seguida preparou um jardim onde colocou o primeiro casal humano que havia criado do barro: Adão e Eva. Eles tiveram dois filhos: Caim e Abel. Quando adultos, num desentendimento entre si, Caim matou seu irmão. Por essa razão Deus o amaldiçoara, e então Caim fugiu da casa de seus pais, indo para um lugar chamado Terra de Nod.

“E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

“E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.

“E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.

“E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou.

“E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.

“Então disse Caim ao SENHOR: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.

“E saiu Caim de diante da face do SENHOR, e habitou na terra de Node , do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque;” Gênesis 4:1-17

Nota-se no texto que, apesar da afirmação de que Adão, Eva, Caim e Abel eram os primeiros habitantes do planeta, quando Deus se dirige a Caim e o amaldiçoa, este se defende com o argumento de que sendo fugitivo e errante pela Terra, qualquer pessoa que o encontrasse ia querer matá-lo. Deus então coloca um sinal em Caim para que ninguém o ferisse de morte. Infere-se deste diálogo que havia outras pessoas no mundo além de Adão, Eva e Caim, afinal seus próprios pais não iam querer o seu mal.

Retornando ao Livro de Urântia, à época da Rebelião de Lúcifer, vimos no tópico anterior sobre os Nefilins, que os membros do corpo de assessores que haviam se rebelado escolheram Nod como seu líder, e habitaram uma região que ficou por muito tempo conhecida como a Terra de Nod. Foi para este lugar que Caim se dirigiu quando fugiu da presença de seus pais, por ter assassinado seu próprio irmão Abel.

A rebelião de Lúcifer ocorreu há 200 mil anos (contando dos dias atuais), e a história de Adão e Eva e o Jardim do Éden data de 38 mil anos, ou seja: mais de 160 mil anos havia se passado desde que Nod liderara os seres rebeldes, mas aquela região ainda recebia o seu nome e era povoada pelos seus descendentes. Neste lugar Caim conheceu sua esposa e teve um filho.

“Nos seus ensinamentos iniciais, com muita sabedoria, Moisés não tentou ir até antes da época de Adão e, posto que foi o instrutor supremo dos hebreus, as histórias de Adão tornaram-se intimamente associadas com aquelas da criação. Que as tradições iniciais reconheciam as civilizações pré-Adâmicas é visivelmente mostrado pelo fato de que os editores posteriores, com a intenção de erradicar todas as referências aos assuntos humanos antes da época de Adão, esqueceram-se de retirar a referência indicadora da emigração de Caim para a ‘terra de Nod’, onde ele encontrou uma esposa.” Pág. 837:7

“E, então, Caim partiu para a terra de Nod, a leste do segundo Éden. Tornou-se um grande líder de um grupo do povo do seu pai e, em uma certa medida, cumpriu as predições de Serapatátia, pois promoveu a paz dentro dessa divisão entre os noditas e os adamitas, durante o período da sua vida. Caim casou-se com Remona, prima distante sua, e o primeiro filho deles, Enoch, tornou-se o chefe dos noditas elamitas. E, durante centenas de anos, os elamitas e os adamitas continuaram vivendo em paz.” Pág. 849:3

Noé e o Dilúvio

Diz a bíblia que, por causa da corrupção humana, Deus teria se arrependido de haver criado o homem e decidiu destruir a Terra com um dilúvio, e somente um homem achou graça aos seus olhos: Noé. E o Senhor Deus teria dado uma ordem a Noé, que construísse uma arca de madeira, e que recolhesse alimentos para sua família e para os animais que ele deveria levar consigo a fim de se salvarem da grande inundação. Segundo os cálculos bíblicos, isto ocorreu por volta de 2350 a.C.

“E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra… Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra…

“E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.

“Então disse Deus a Noé: Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira a farás: De trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinqüenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura.

“Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará. Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo. E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão. E leva contigo de toda a comida que se come e ajunta-a para ti; e te será para mantimento, a ti e a eles. Assim fez Noé;

“Depois disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração. De todos os animais limpos tomarás para ti sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea. Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz. E fez Noé conforme a tudo o que o SENHOR lhe ordenara.

“No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

“E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos. Quinze côvados acima prevaleceram as águas;

“E expirou toda a carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o réptil que se arrasta sobre a terra, e todo o homem. Assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca. E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinqüenta dias.” Gênesis 6, 7, 8 e 9

Alguns fatos vão de encontro a este relato, pelo menos contra um dilúvio de tal magnitude:

1. De onde teria vindo toda a água do dilúvio?

Conforme um estudo realizado por Ruy Miranda , há na atmosfera do planeta em torno de 0,013 x 1015 m3 de água. Em outras palavras são 13 quatrilhões de litros de água em suspensão. Mesmo que toda essa água viesse abaixo na forma de chuva seria suficiente apenas para elevar o nível dos oceanos em 3,64cm. Pensando no impossível, se toda a água da atmosfera viesse a cair apenas sobre a parte seca da Mesopotâmia, e considerando que não escorresse para os mares, o alagamento chagaria a no máximo 2m de altura.

Conclusão: a água da chuva não poderia ter causado um dilúvio.

2. A arca poderia comportar todos os animais do mundo?

Quando Deus dá a ordem a Noé, Ele é específico sobre o tipo arca que deveria ser construída, a madeira a se utilizar e o seu tamanho: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. Um côvado equivale à distância entre o cotovelo até a ponta do dedo médio, portanto esta medida varia de acordo com o tamanho do braço da pessoa que mede. Há uma grande variação no que se refere ao comprimento de um côvado em metros, desde 0,42m (côvado judeu) até 0,65m (côvado Hashimi)

Considerando que Noé não era um dos gigantes e usando como base o côvado mesopotâmio, que tinha 0,53m, podemos calcular a medida da arca em metros: 150m de comprimento, 26,5m de largura e 15,9m de altura. Qual o número de animais que uma arca deste tamanho suportaria?

Acredita-se que existem entre 13 e 14 milhões de espécies de seres vivos no planeta. Deste número, 800 mil foram catalogadas até hoje, entretanto quase dois terços são de insetos. Do restante grande parte são seres que habitam os oceanos ou rios, então vamos nos concentrar apenas nos mamíferos terrestres (em torno de 6000 espécies) e as aves (aprox. 9600 espécies), que teoricamente morreriam com um dilúvio universal, o número chega a um total de 15600 espécies . A arca comportaria tantos bichos?

Já ouvi alguns defensores da Bíblia afirmando que não havia tantos animais assim na época de Noé, mas considerando o ano de 2350 a.C, ou mesmo 10.000 a.C., como a época provável deste acontecimento, existiam praticamente todos os animais que conhecemos hoje, e outros mais que já foram extintos.

Conclusão: Noé não poderia ter salvado sequer os mamíferos a as aves. Imagina “toda a carne, em que havia espírito de vida”, como afirma o texto bíblico.

3. Existem provas geológicas sobre este acontecimento?

Uma das “provas” que tem sido apresentada por alguns religiosos para dar valor científico à história do dilúvio trata-se de uma teoria que surgiu em 1997. A edição 115 da revista Galileu traz uma reportagem a respeito:

Dois oceanógrafos, William Ryan e Walter Pitman, da Universidade Columbia, em Nova York, acreditam que esses relatos estão ligados a uma gigantesca invasão das águas do Mediterrâneo no Mar Negro ocorrida naquela época… No final de 1998, os cientistas lançaram o livro Noah’s Flood (O Dilúvio de Noé, ainda sem tradução no Brasil), em que descrevem essas idéias.

De acordo com as suas pesquisas esta grande inundação teria ocorrido por volta do ano 7500 a.C, sendo causada pela ruptura do estreito de Bórforo, e fazendo com que a água do Mediterrâneo, que tinha seu nível bem mais elevado, invadisse o Mar Negro. Acontece que Noé e sua família habitavam a Mesopotâmia, onde teria havido um recuo das águas e não uma inundação.

Mas, o Livro de Urântia, o que diz sobre Noé e o dilúvio?

O livro diz que a Terra realmente experimentou grandes inundações que ocorreram entre o período que vai de 350 a 210 milhões de anos atrás. Por várias vezes as terras emergiram e submergiram até que encontrassem uma relativa estabilidade. E por isso a arqueologia tem encontrado fósseis marinhos em altitudes elevadas . Mas isso foi há muito tempo, a raça humana só veio surgir recentemente: há 1 milhão de anos.

A era humana jamais testemunhou uma dessas grandes inundações, senão alguns afundamentos de terra pontuais. Exemplos de submersões são comuns no livro, como o que aconteceu na região onde se situava Dalamátia, a cidade do Príncipe Planetário que, 162 anos depois da rebelião, afundou sob as águas do mar; o mesmo ocorreu à península onde se situava o primeiro Jardim do Éden, que submergiu em conseqüência de violentos vulcões na vizinhança.

Foi por volta de 5000 a.C. que houve uma acelerada elevação das montanhas da costa leste, noroeste e nordeste do Mediterrâneo, e isso causou enchentes sem precedentes em todo o vale do Eufrates, por causa do aumento da precipitação de neve nas montanhas ao norte. Muitas cidades dessa região ficaram praticamente desertas, pois seus habitantes tiveram de se mudar para os planaltos a leste. E assim surgiu a história de Noé.

“A história bíblica de Noé, da arca e da enchente é uma invenção do sacerdócio hebreu, durante o seu cativeiro na Babilônia. Nunca houve uma enchente universal, desde que a vida foi estabelecida em Urântia. A única época em que a superfície da Terra esteve completamente coberta pela água foi durante as idades arqueozóicas, antes que as terras começassem a aparecer.” Pág. 875:1

“Entretanto, realmente Noé existiu; ele foi um fabricante de vinho em Aram, uma colônia junto ao rio, perto de Erec. Ele mantinha um registro escrito dos dias de alta do rio, ano após ano. Chegou a ser bastante ridicularizado, quando subia e descia o vale do rio, advogando que todas as casas devessem ser feitas de madeira, no feitio de barcos, e que os animais da família fossem colocados a bordo todas as noites, quando se aproximasse a estação das enchentes. Todos os anos, ele ia às colônias ribeirinhas da vizinhança, prevenir que, dentro de alguns dias, as enchentes chegariam. Finalmente, veio um ano no qual as enchentes anuais aumentaram bastante, por causa de uma chuva anormalmente pesada, de modo que a súbita elevação das águas levou toda a aldeia; apenas Noé e os mais próximos, na sua família, salvaram-se na sua casa flutuante.”Pág 875:2

A Torre de Babel

Conta-se que depois do dilúvio os homens resolveram construir uma torre que tocasse os céus, pelo que tudo indica para se protegerem de outra grande enchente. Entretanto, Deus teria interferido nesta empreitada, confundindo-os com línguas diferentes. É esta a versão bíblica que explica o surgimento dos vários idiomas do mundo.

“E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Então desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; E o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o SENHOR os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra.” Gênesis 11:3a9

Mas não é somente a Bíblia que narra este evento, há uma história na Mitologia suméria chamada Enmerkar e o Senhor de Aratta, na qual os dois deuses rivais, Enki e Enlil, acabam por confundir as línguas de toda a humanidade como efeito colateral da sua discussão.

O Alcorão também tem uma história semelhante, embora relate que a torre teria sido construída no Egito, (Sura 28:38 e 40:36-37) o Faraó pede a Haman para lhe construir uma torre de barro, chamada de Babil, para que ele possa subir até ao céu e confrontar o Deus de Moisés.

No livro “História dos Profetas e Reis” pelo historiador Muçulmano Tabari do século XIX há também uma versão: Nimrod faz a torre ser construída em Babil, Alá destrói-a, e a língua da humanidade, previamente o Siríaco, é então confundida em 72 linguagens.

Histórias semelhantes são encontradas em várias outras literaturas, inclusive na América Central. Uma delas diz que Xelhua, um dos sete gigantes salvos do dilúvio, construiu a Grande Pirâmide de Cholula para desafiar o Céu. Os deuses destruíram-no com fogo e confundiram a linguagem dos construtores .

Todas essas histórias são derivações de um acontecimento pré-adâmico, há aproximadamente 150 mil anos, depois que a cidade planetária havia submergido e os descendentes dos assessores do Príncipe se tornaram numerosos, “ocorreu aos seus líderes que algo deveria ser feito para preservar a sua unidade racial. Conseqüentemente, um conselho das tribos foi convocado e, depois de muito deliberar, adotou-se o plano de Bablot, um descendente de Nod.”

“Bablot propôs edificar um templo pretensioso de glorificação racial no centro do território então ocupado por eles. Esse templo devia ter uma torre nunca vista em todo o mundo. Devia ser um memorial monumental da sua grandiosidade momentânea. Havia muitos que queriam esse monumento erigido em Dilmum, mas outros argumentavam que uma estrutura tão grande deveria ser colocada a uma distância segura dos perigos do mar, lembrando-se das tradições da submersão da sua primeira capital, Dalamátia.

“Bablot planejou os novos edifícios como sendo o núcleo do futuro centro da cultura e da civilização noditas. O seu conselho finalmente prevaleceu e a construção teve início de acordo com os seus planos. A nova cidade chamar-se-ia Bablot, em honra ao arquiteto e construtor da torre. Esse local posteriormente ficaria conhecido como Bablod e finalmente como Babel.

“Mas, de algum modo, os noditas estavam ainda divididos quanto aos sentimentos em relação aos planos e propósitos desse empreendimento. Nem os seus líderes estavam todos de acordo a respeito dos planos de construção, nem sobre a finalidade das edificações depois que estivessem prontas. Após quatro anos e meio de trabalho, adveio uma grande disputa a respeito do objetivo e do motivo pelos quais se construía a torre. As contendas tornaram-se tão amargas que todo o trabalho parou. Os carregadores de comida espalharam as novas sobre as discussões e um grande número de tribos começou a amontoar-se no local da construção. Três pontos de vista diferentes foram propostos sobre o propósito da construção da torre:

“1. O grupo maior, de quase a metade, desejava ver a torre construída como um memorial da história nodita e da sua superioridade racial. Eles achavam que devia ser uma estrutura grande e imponente, que devia suscitar a admiração de todas as gerações futuras.

“2. A segunda maior facção queria que a torre fosse destinada a comemorar a cultura Dilmum. Eles previam que Bablot viesse a ser um grande centro de comércio, de arte e de manufatura.

“3. O contingente menor e minoritário sustentava que a edificação da torre representava uma oportunidade de redimir o desatino dos seus progenitores, por haverem participado da rebelião de Caligástia. Eles sustentavam que a torre deveria ser dedicada à adoração do Pai de todos, e que todo o propósito da nova cidade deveria ser o de substituir a Dalamátia – de funcionar como o centro cultural e religioso para os povos bárbaros vizinhos.

“O grupo religioso foi logo derrotado na votação. A maioria rejeitou a doutrina de que os seus antepassados haviam sido culpados de rebeldia; esse estigma racial ofendia-os. Havendo eliminado um dos três ângulos da disputa e não havendo conseguido decidir-se entre os outros dois, por debate, eles entraram em luta. Os religiosos, não combatentes, fugiram para as suas casas no sul, ao passo que os seus companheiros lutaram até quase se aniquilar.

“Há cerca de doze mil anos, foi feita uma segunda tentativa de erigir a torre de Babel. As raças miscigenadas dos anditas (os noditas e os adamitas) propuseram-se levantar um novo templo sobre as ruínas da primeira estrutura, mas não houve respaldo suficiente para o empreendimento; ele veio abaixo com o peso da própria pretensão. Durante muito tempo, essa região ficou conhecida como a terra de Babel.” O Livro de Urântia, página 858-859

Enoque e Elias

Dois personagens bíblicos de tempos diferentes, mas ligados por um acontecimento comum: Enoque fora trasladado aos céus e Elias levado por uma carruagem de fogo, fato testemunhado pelo seu discípulo Eliseu.

“E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.” Gênesis 5:24

“Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.” Hebreus 11:5

“E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu;” 2 Reis 2:11e12

De acordo com o Livro de Urântia Enoque e Elias galgaram com sucesso no percurso de suas vidas os sete círculos psíquicos da potencialidade mortal, e por esta razão fusionaram-se com o Ajustador do Pensamento. Mas para compreendermos todo o processo antes se faz necessário entender os níveis da realidade humana e como o homem evolui através destes sete degraus de crescimento espiritual.

A experiência humana é manifestada em níveis de existência, os quais são: Corpo, Mente, Espírito, Alma e Personalidade:

Corpo – É o organismo físico, material, do homem; o mecanismo eletroquímico vivo de natureza e origem animal. É uma realidade facilmente compreendida pela mente humana, pois é constatável pelos cinco sentidos básicos da percepção.

Mente – É o nosso mecanismo de pensar, perceber e sentir; a experiência consciente e inconsciente; a inteligência associada à vida emocional que busca, por meio da adoração e da sabedoria, alcançar o nível acima, o do Espírito.

Espírito – É um fragmento do Pai Universal que reside na mente do homem, o Ajustador do Pensamento; este espírito imortal é pré-pessoal, não tem personalidade, se bem que esteja destinado a transformar-se em uma parte da personalidade da criatura mortal, se esta aceitar a parceria entre Deus e Homem, unindo-se eternamente por meio da fusão.

Alma – A alma é uma aquisição experiencial; o homem não nasce com uma alma, mas à medida que escolhe “cumprir a vontade do Pai dos céus”, o espírito (o pai) que reside na sua mente em união com a mente (a mãe) promovem o nascimento dessa nova realidade: a alma.

Personalidade – A personalidade do homem não é corpo, nem mente, nem espírito e também não é a alma. A personalidade é a única realidade invariável em meio a uma experiência constantemente mutável da criatura; é a personalidade que unifica, integra todos os outros fatores associados da individualidade.

Quando o Ajustador do Pensamento passa a habitar o homem, e isto ocorre por volta dos 5 anos de idade, ele dá início ao trabalho de contatar e sintonizar-se com a mente humana para poderem juntos gera a alma sobrevivente. É a partir deste momento que o homem começa a galgar os sete círculos psíquicos, o qual deverá conquistar, sucessivamente, cada um dos degraus até o círculo de número um.

“Cada decisão que tomardes estará sempre impedindo ou facilitando a função do Ajustador; e, da mesma forma, essas mesmas decisões determinam o vosso avanço nos círculos de realização humana. É verdade que a supremacia de uma decisão, a sua relação com uma crise, tem muito a ver com a sua influência na passagem dos círculos; entretanto, inúmeras decisões, repetições freqüentes e persistentes mostram-se também essenciais para a firmeza na formação do hábito de tais reações.” Livro de Urântia, página 1210:1

“Quando um ser humano completou os seus círculos de realização cósmica e, mais adiante, quando a escolha final da vontade mortal permite que o Ajustador complete a associação da identidade humana com a alma moroncial, durante a vida evolucionária física, então essas ligações consumadas entre a alma e o Ajustador continuam independentemente, até os mundos das mansões; e, de Uversa, é emitido o mandato que autoriza a fusão imediata entre o Ajustador e a alma moroncial. Essa fusão, durante a vida física, consome instantaneamente o corpo material; os seres humanos que testemunhassem um tal espetáculo apenas observariam o mortal, que se translada, desaparecer em ‘carruagens de fogo’.” O Livro de Urântia, página 1212:3

E foi o que aconteceu a Enoque e Elias, que se fusionaram aos seus Ajustadores e imediatamente transladados à sede do sistema: Jerusém.

“Enoch, o primeiro dos mortais de Urântia a fusionar-se com o Ajustador do Pensamento durante a vida mortal na carne.” O Livro de Urântia, página 514:3

“Elias, uma alma de brilhante êxito espiritual, transladada durante a idade pós-Filho Material.” O Livro de Urântia, página 514:5

A Ordem de Melquisedeque

Melquisedeque é um personagem bíblico no mínimo misterioso. Rei de Salém e sacerdote do Altíssimo. Não tinha pai nem mãe, não nasceu nem morreu.

“Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.” Hebreus 7:1-3

Pelas descrições não era um ser humano normal, não foi gerado por uma mulher nem passou pela morte. A Bíblia não dá muitas informações a seu respeito, mas encontramos algo interessante na Epístola aos Hebreus. Diz que Melquisedeque fazia parte de uma ordem: A Ordem Melquisedeque, da qual Jesus também é titular.

“Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.” Hebreus 6:20

Sabemos que Jesus é o Filho de Deus que se fez homem e viveu entre nós, o nosso pai-criador e soberano do universo. E Melquisedeque, quem teria sido? Qual a sua relação com Jesus? Afinal Melquisedeque havia estado neste planeta entre 1980 a 1886 a.C. Por que Jesus recebeu este título de pertencente à Ordem de Melquisedeque?

Vejamos o que diz o Livro de Urântia:

A Criação Divina é composta por 700 mil universos locais, e cada um desses é criado e administrado por um Filho de Deus do Paraíso, um filho criador pertence à Ordem Michael. O Filho Criador do nosso universo local é chamado de Michael de Nebadon, e este deu início à criação do seu universo há 400 bilhões de anos.

Além do universo em que vivemos, Michael criou também várias classes de seres, entre as quais: os melquisedeques, os vorondadeques, os lanonandeques, os portadores da vida, toda uma infinidade de seres angélicos, e ainda os seres humanos que nascem nos mundos evolucionários.

Os Filhos Melquisedeques são os instrutores do universo e atuam também em casos emergenciais. Quando surge um problema extraordinário qualquer, um Melquisedeque é enviado em missão. Foi o que aconteceu por volta de 1980 a.C, quando a verdade corria risco de ser extinta do planeta Terra, Maquiventa Melquisedeque apresentou-se como voluntário para vir a este mundo, e resgatar o conceito de um Deus único: O Pai Altíssimo.

Maquiventa se apresentou como um sacerdote de El Elyon, o Altíssimo, o único Deus, e viveu como um ser humano por 95 anos. Estabeleceu o reinado de Salém, ensinou e treinou discípulos que se espalharam pelo mundo afora que disseminaram estes ensinamentos. Após a partida de Maquiventa, Salém se tornou Jebus, e tempos depois passou a ser conhecida como Jerusalém.

Mas, qual a relação entre Melquisedeque e Jesus? Porque Jesus fora considerado como pertencendo à ordem de Melquisedeque?

Para compreender esta relação é preciso voltar ao ponto em que o Filho Criador constrói o seu universo, e que para assumir a soberania, o filho criador deve antes experienciar aquilo que ele próprio criara, em sete níveis de existência diferentes, e somente após haver completado estas sete efusões (o ato de viver a vida da criatura) é que um Filho Criador é considerado o Soberano do Universo. O propósito dessas encarnações é capacitar esses criadores a tornarem-se soberanos cada vez mais sábios, compassivos, justos e compreensivos, e acima de tudo misericordiosos.

O nosso Filho Criador realizou as sete etapas, sendo a sétima e última a que conhecemos como a vida de Jesus de Nazaré. Todas as sete auto-outorgas são:

1. Filho Melquisedeque
2. Filho Lanonandeque
3. Filho Material
4. Serafim
5. Peregrino Ascendente
6. Ser Moroncial
7. Carne Mortal

A primeira auto-outorga de Michael de Nebadon aconteceu há quase um bilhão de anos, quando os diretores e dirigentes do universo de Nebadon ouviram Michael anunciar que estaria ausente por um determinado tempo. Ao terceiro dia após sua partida de Salvington uma comunicação foi registrada, com os termos:

“Ao meio-dia de hoje apareceu, no campo de recepção deste mundo, um estranho Filho Melquisedeque, cuja numeração não é a nossa, mas que é exatamente como os da nossa ordem. Ele estava acompanhado de um omniafim solitário, que trazia credenciais de Uversa e que apresentou as ordens, dirigidas ao nosso chefe, vindas dos Anciães dos Dias e certificadas por Emanuel de Salvington, instruindo que esse novo Filho Melquisedeque fosse recebido na nossa ordem e designado ao serviço de emergência dos Melquisedeques de Nebadon. E assim foi ordenado; e assim foi feito. O Livro de Urântia, página 1309:1

“E isso é tudo o que aparece nos registros de Salvington a respeito da primeira auto-outorga de Michael. Nada mais consta, até que, na medida de tempo de Urântia, se passassem cem anos, quando, então, foi registrado o fato do retorno de Michael, que reassumiu, sem anúncios, a direção dos assuntos do universo. Contudo, um estranho registro está para ser feito, no mundo Melquisedeque; uma narração sobre os serviços daquele Filho Melquisedeque único, do corpo de emergência daquela época. Esse registro está conservado em um templo simples, que ocupa agora a parte da frente da casa do Pai Melquisedeque; e que compreende a narrativa do serviço desse Filho Melquisedeque transitório, e sobre o seu desempenho, em vinte e quatro missões de emergência em todo o universo. E esse registro, que eu revi muito recentemente, termina assim:

“E nesse dia, ao meio-dia, sem anúncio prévio e testemunhado apenas por três seres da nossa fraternidade, esse Filho visitante da nossa ordem desapareceu do nosso mundo, tal como chegara, acompanhado apenas de um omniafim solitário; e esse registro é agora fechado com o certificado de que esse visitante viveu como um Melquisedeque, à semelhança de um Melquisedeque; que trabalhou como um Melquisedeque; e que cumpriu todos os seus compromissos fielmente, como um Filho emergencial da nossa ordem. Por consenso universal, tornou-se dirigente dos Melquisedeques, tendo conquistado o nosso amor e a nossa adoração, pela sua incomparável sabedoria, amor supremo e uma devoção extraordinária ao dever. Ele nos amou, compreendeu-nos e serviu a nós; e, para sempre, seremos seus leais e devotados companheiros Melquisedeques, pois esse estranho no nosso mundo tornou-se agora eternamente um ministro de natureza Melquisedeque.” O Livro de Urântia, página 1310:1-3

Outros tópicos bíblicos são explicados à visão do Livro de Urântia, mas serão temas de outras apresentações, noutros momentos oportunos.

Nemias Mol, 04 de Julho de 2010. Encontro Nacional de Leitores do Livro de Urântia, João Pessoa, PB.

Nota da AUB

Os artigos dessa seção expressam exclusivamente a interpretação pessoal de seus autores.

Sete Mistérios da Bíblia Decifrados

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