Informativo Junho 2021
Minha experiência com a Parte IV de O Livro de Urântia: A Vida e os Ensinamentos de Jesus
Ainda que eu já conhecesse – por cima – quem foi Jesus, através do Novo Testamento e de uma educação primária em colégio jesuíta, este ‘personagem’ não havia me tocado em nada, a não ser quando eu ia mal nas provas de religião e ficava “pêdavida” por causa de, afinal, uma mitologia.
Mas eu só vim realmente a me apaixonar por Jesus lendo a Parte IV de O Livro de Urântia. E, a cada página de cada documento na narrativa progressiva da vida Jesus, novas ideias, conceitos, significados e valores somavam-se em mim, ampliando minha visão sobre Deus, ressignificando a ‘Fé’, e como amar os seres humanos. Porém, e o que mais impregnou meu ser, foi a vertiginosa montanha-russa de emoções e de sentimentos profundos ao acompanhar Jesus desde o seu nascimento.

Minha imersão na leitura era tal que eu praticamente via os acontecimentos como uma testemunha ocular; como um observador das cenas in loco. A Parte IV foi (e ainda é) uma destas leituras que a gente não quer que acabe, que tenha infinitas páginas para ficarmos anos a fio na imersão de tantos valores sublimes e sentimentos maravilhosos.
Contudo, conforme eu consumia com os olhos os minutos, os dias e os anos da história de Jesus, e os percorrendo junto com ele, comecei a sentir um comichão na boca do estômago; uma sombra que crescia envolvendo meu coração de temor e dolorosa compaixão, pois eu conhecia de antemão os marcos históricos que estavam por acontecer.
E eu temia porque, a linguagem descritiva ao longo de todo o livro é tão precisa que – na minha expectativa – fiquei apreensivo que a conspiração contra ele, a sua traição, a sua prisão e tortura, e então a ‘Via Dolorosa’ que culminava em sua morte, fosse de tal modo pormenorizado que me deixasse perenemente com o coração partido, pois nada dói mais do que ver sofrer quem amamos tanto.
No entanto, e mais uma vez, os autores da Parte IV foram incrivelmente sábios e éticos em não detalharem os atos sórdidos e cruéis que Jesus foi submetido, sem que omitissem os fatos importantes, os significados reais e os valores imperecíveis desta saga final da vida física do Mestre.
E isto foi um imenso alívio para mim, mas – mesmo assim – doeu. Ah, como doeu! Ao longo de toda a Parte IV várias vezes eu chorei emocionado, enaltecido e em júbilo; porém, o que lhe aconteceu nestes momentos derradeiros, minhas lágrimas não foram suficientes para expressar o aperto no coração: ele não ficou partido, porém, extremamente machucado. Debruçado sobre o livro e pingando sobre ele, continuei a leitura, esperançoso que estava sobre o final verdadeiro e digno de uma Fé autêntica: a sua vitória sobre a morte e a ampliação do nosso próprio destino, uma demonstração daquilo que nos aguarda – A Ressurreição, A Continuidade, e O Reencontro com Ele. Quando finalmente terminei os 196 Documentos, eu estava diferente de quando comecei. Fechei o livro, os olhos, e agradeci. E então abri de novo na página 1 e fui até o final: e um novo livro eu li, pois eu também era novo.
André Vassiliades


